O consumo de cafeína pode reduzir o risco de câncer de pele e de diversas outras doenças.
De acordo com um estudo apresentado na
Associação Americana para Pesquisa do Câncer, em Boston (EUA), quanto
mais café se consome, mais se reduz o risco de basalioma - forma mais
comum de câncer de pele.
A pesquisa foi feita com dados de dois estudos, um com 72.921
participantes entre 1984 e 2008 e o segundo com 39.976 pessoas entre
1986 e 2008.
Segundo os autores do estudo, as mulheres que bebem mais de três xícaras
de café reduzem em 20% o risco de desenvolver o câncer, em comparação
com aquelas que consomem pouco ou nenhum café. Já nos homens, o risco de
desenvolver
câncer de pele reduz apenas 9% com o consumo de três xícaras de café por dia.
Os pesquisadores afirmam que fatores alimentares, como o consumo
diário de café, podem ter um grande impacto na saúde pública, já que,
só nos Estados Unidos, há um milhão de novos casos de basalioma
diagnosticados a cada ano.
Acerte na dose e faça do café aliado da sua saúde
Que
gosto tem o Brasil? Se você nem parou para pensar e já disse café,
acertou em cheio. O consumo desta bebida é o grande destaque na mesa dos
brasileiros, de acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE,
finalizada em julho de 2011 - nem a mesmo a dupla formada por arroz e
feijão é capaz de desbancar as xícaras com aroma de fazenda.
As dúvidas sobre o assunto, no entanto, às vezes tornam a pausa
para o cafezinho num dilema. Medo de perder o sono, interferência da
cafeína nos resultados do treino e até associação da bebida com o
surgimento de algumas doenças estão entre as polêmicas. "Existem muitas
pesquisas sobre o assunto e algumas trazem resultados conflitantes",
afirma a endocrinologista Claudia Chang, da Sociedade Brasileira de
Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
O único consenso, por enquanto, estabelece a quantidade máxima
recomendada por dia: de 300 a 400mg de cafeína, equivalentes a três ou
quatro xícaras médias de café coado, ou a metade disso na versão
expressa, que é mais concentrada. Limitando-se a essa dose, você aumenta
suas chances de potencializar os efeitos positivos do café sem sofrer
com os eventuais riscos dos exageros. Veja abaixo relações recentes que
os pesquisadores descobriram entre o delicioso café e a saúde de quem
não abre mão deste prazer.
1) O café pode proteger contra o câncer?
As
pesquisas divergem sobre o assunto. Mas há estudiosos já totalmente
convencidos de que o café é capaz de proteger contra câncer de fígado,
rim, colo-retal e câncer de mama no período da pré-menopausa.
"O café é rico em antioxidantes, substâncias que promovem a renovação
celular e ajudam o organismo a combater doenças, incluindo o câncer",
afirma a endocrinologista Claudia Chang.
2) Cafeína acelera o ganho de massa muscular?
A
cafeína acelera a perda de gordura, e não o ganho de massa muscular.
Isso acontece porque o café é uma bebida termogênica, ou seja, tem
capacidade de aumentar o metabolismo basal e obrigar o corpo a gastar
mais energia.
Segundo o nutrólogo Roberto Navarro, da Associação Brasileira de
Nutrologia, a cafeína também diminui a fadiga e melhora o rendimento do
atleta. "Graças ao aumento de disposição, o aluno treina mais pesado e
ganha mais massa muscular", explica o médico.
3) Café ajuda na prevenção do Alzheimer?
Já foi
comprovado que a cafeína age como protetora do organismo contra o
Alzheimer e outras demências. A explicação para o feito ainda não é
clara: por enquanto, a ação antioxidante e anti-inflamatória da bebida
competem pela atenção dos cientistas.
Mas há outra hipótese sendo testada: a cafeína estimularia a produção e a
renovação do líquor, liquido que irriga o cérebro. "Conforme a idade
avança, a produção deste líquido diminui. Com isso, as substâncias
tóxicas demoram mais tempo para serem eliminadas e podem surgir danos no
cérebro", explica a endocrinologista.
4) O café pode ajudar a prevenir doença de Parkinson?
O
consumo médio de três xicaras de café por dia diminui a incidência de
Doença de Parkinson. "Isso ocorreria porque a bebida tem substâncias
neuroprotetoras, que retardam a degeneração cerebral causadora da
doença", explica a endocrinologista Claudia Chang.
5) O café pode ajudar a prevenir depressão?
O
consumo de cafeína diminui a inflamação na área do cérebro responsável
pelas emoções, problema relacionado à depressão. "O café contém boas
doses de ácido clorogênico, substância de conhecida ação
anti-inflamatória, também encontrada em vegetais amarelos ou
avermelhados, como tomate, cenoura, pimentão, abacaxi e morango", afirma
a endocrinologista da SBEM.
O nutrólogo Roberto Navarro explica que pessoas mais
predispostas à depressão por queda de neurotransmissores como dopamina e
noradrenalina (responsáveis pela atenção, cognição e bem-estar mental)
têm uma aliada na cafeína. "A cafeína aperfeiçoa a ação desses
neurotransmissores", afirma o especialista. "Mas é preciso ter cuidado
com a dose, porque o excesso está associado à ansiedade".
6) Qual a relação do café com o diabetes?
O
consumo de cafeína está relacionado a uma menor incidência de diabetes,
de acordo com estudo recente do Departamento de Nutrição de Harvard. O
café, consumido logo após as refeições, diminui a absorção da glicose
pelo organismo. "Além disso, a cafeína leva ao aumento dos níveis
circulantes de uma proteína chamada SHBG, que reduz o desenvolvimento de
diabetes tipo 2", diz o nutrólogo.
7) Café é capaz de prevenir doenças do coração?
Sim, provavelmente por conta de seu efeito anti-inflamatório, que deixa
as veias livres para o sangue circular. Mas atenção: a proteção cai por
terra caso o consumo de café ou outras substâncias ricas em cafeína
(como chá mate, chá preto e refrigerantes de cola) alcance mais de
800mg/dia cafeína.
8) O café interfere nos níveis de colesterol?
Os
especialistas orientam evitar o consumo do expresso, que possui
cafestol, capaz de elevar os níveis de colesterol - essa substância
sequestra os receptores do intestino responsáveis por manter essas taxas
estáveis. Quando o café é coado, essas substâncias ficam retidas no
filtro de papel e o efeito é cortado.
9) Crianças podem tomar café? E gestantes?
As crianças podem tomar café, desde que não ultrapassem 45mg/dia
(cerca de meia xícara). O sistema neurológico infantil é mais sensível e
o excesso de cafeína pode prejudicá-lo. "Mas, mantido este cuidado com a
quantidade, o café pode aumentar a concentração e a disposição mental,
ajudando crianças com déficit de atenção", afirma o nutrólogo.
Embora o consumo de cafeína não esteja relacionado à má formação ou
retardo do crescimento uterino, o ideal é que a gestante não consuma
quantidades muito altas de cafeína, sendo o limite seguro de 300mg/dia,
isso por que o consumo excessivo de café pode levar à perda de peso da
gestante e do feto.
10) Café realmente tira nosso sono?
Sim.
Isso acontece por que o consumo de cafeína bloqueia a ação de um
componente químico do cérebro, que determina a necessidade de sono e
desperta a vontade de dormir.
"Os efeitos da cafeína persistem por quatro a seis horas após o consumo.
É preciso ter isso em vista para que uma xícara de café não se
transforme em gatilho para a insônia", afirma a endocrinologista.